Parece impossível. Você está no meio do sertão pernambucano, cercado de caatinga, arenito vermelho e um céu que não tem fim. E de repente, ali no chão, uma concha. No meio do semiárido, longe de qualquer praia, longe de qualquer rio.
Isso não é coincidência. É a memória do planeta contando sua história.
O chão que você pisa no Vale do Catimbau já foi, há cerca de 380 milhões de anos, o fundo de um mar raso. A região faz parte da Bacia Sedimentar do Jatobá, uma formação geológica que guarda registros do período Devoniano, quando boa parte do que hoje é o sertão nordestino ficava submerso. Com o tempo, os movimentos da terra, a erosão e os milhões de anos de transformação foram moldando essa paisagem até chegar no que você vê hoje. Os paredões de arenito que parecem esculpidos à mão, as formas únicas das rochas, as cores que variam do ocre ao vermelho intenso. Tudo isso começou debaixo d'água.
E as conchas ficaram. Fossilizadas, guardadas na pedra, esperando que alguém com curiosidade e com um bom guia do lado soubesse onde olhar.
É esse tipo de história que o Catimbau carrega em cada centímetro de chão. Uma história que não está nos livros didáticos, que não aparece nas fotos do celular. Que só se revela pra quem caminha devagar, com atenção, com alguém que conhece a alma desse lugar.
Vem descobrir o que o sertão esconde nas suas pedras.
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O Vale do Catimbau tem um jeito próprio de encantar. A caatinga que respira ao redor, as formações rochosas que parecem esculpidas pelo tempo e o silêncio do sertão que, de tão bonito, pesa. É o tipo de lugar que fica maior quando a gente tem com quem dividir.